Os 10 Erros de Pronúncia em Inglês Mais Comuns que Falantes de Línguas Românicas Cometem

Publicado em 12 de fevereiro de 2026

Se você fala português, espanhol, francês ou italiano, provavelmente já percebeu que a pronúncia do inglês é um campo minado. A boa notícia? A maioria dos falantes de línguas românicas comete os mesmos erros. Isso acontece porque nossas línguas compartilham raízes latinas e padrões fonológicos semelhantes que interferem no inglês.

Neste guia completo, vamos analisar os 10 erros de pronúncia mais comuns, explicar por que eles acontecem do ponto de vista do português brasileiro, mostrar a transcrição fonética (IPA) correta e oferecer exercícios práticos para cada um. Ao final, você terá um mapa claro dos seus pontos fracos e um plano para corrigi-los.

Erro #1: Achatar Ditongos (/eɪ/ vira /e/, /oʊ/ vira /o/)

Este é talvez o erro mais universal entre falantes de línguas românicas. O inglês possui ditongos -- combinações de duas vogais em uma única sílaba -- que nossas línguas simplesmente não têm da mesma forma.

Por que isso acontece?

Em português, as vogais /e/ e /o/ são relativamente puras e estáveis. Quando encontramos palavras inglesas como "make" /meɪk/ ou "go" /ɡoʊ/, nosso cérebro mapeia esses sons para as vogais simples que já conhecemos. O resultado? "Make" soa como "mék" e "go" soa como "gô" -- sem o deslizamento vocálico que os falantes nativos esperam ouvir.

A diferença na prática

  • /eɪ/ (como em "day"): Começa em /e/ e desliza para /ɪ/. Pense em "ei" do português, mas mais suave.
  • /oʊ/ (como em "go"): Começa em /o/ e desliza para /ʊ/. Seus lábios devem se arredondar progressivamente.

Pratique estas palavras prestando atenção ao deslizamento:

Solução

Exagere o deslizamento no início. Para /eɪ/, comece com a boca em posição de /e/ e termine com a mandíbula mais fechada em /ɪ/. Para /oʊ/, comece em /o/ e arredonde os lábios ainda mais ao final. Grave-se e compare. Com prática, o movimento se tornará natural.

Erro #2: Adicionar Vogais Extras (Epêntese) -- "ispeak", "estopi"

Este erro é o cartão de visita do sotaque de línguas românicas em inglês. Palavras como "speak" viram "ispeak" ou "espeak", e "stop" vira "estop" ou "istopi".

Por que isso acontece?

As línguas românicas (e especialmente o português e o espanhol) preferem fortemente a estrutura silábica consoante-vogal (CV). Quando encontramos palavras inglesas que começam com /s/ + consoante (como /sp/, /st/, /sk/), nosso sistema fonológico automaticamente insere uma vogal antes do /s/ para criar uma sílaba "legal" na nossa língua. No português brasileiro, o efeito é ainda mais forte: além da vogal inicial, frequentemente adicionamos /i/ após consoantes finais como /t/, /d/, /k/ e /p/ -- então "stop" pode virar "istopi" /isˈtɔpi/.

Exemplos do erro

PalavraIPA corretoErro típico (BR)Significado
speak/spiːk//isˈpiːki/falar
school/skuːl//isˈkuːl/escola
stop/stɑːp//isˈtɑːpi/parar
street/striːt//isˈtɾiːtʃi/rua
small/smɔːl//isˈmɔːl/pequeno

Pratique estas palavras começando diretamente no som /s/:

Solução

Use a técnica da serpente: comece com um "sssssss" longo e prolongado, e só depois adicione o restante da palavra sem pausa. "Sssss-peak", "sssss-top", "sssss-cool". Pratique isso devagar até que seu cérebro aceite que em inglês é perfeitamente normal começar uma palavra com /s/ + consoante sem vogal de apoio. Para as vogais finais, treine parar abruptamente na consoante final.

Erro #3: Confundir /b/ e /v/

Este erro é clássico em espanhol, onde /b/ e /v/ são praticamente o mesmo som. Para falantes de português brasileiro, a situação é melhor -- o português tem ambos os sons distintos -- mas diferenças sutis na articulação podem causar problemas, especialmente em posições finais de palavra.

Por que isso acontece?

Em português brasileiro, o /v/ é labiodental (dentes superiores no lábio inferior) mas tende a ser produzido com menos pressão do que em inglês. Em posição final de palavra (como em "have" /hæv/), o /v/ pode enfraquecer ou até se confundir com /f/. Além disso, a influência do espanhol em regiões de fronteira e a exposição a conteúdo hispano podem intensificar essa confusão.

A diferença fundamental

  • /b/: Os dois lábios se fecham completamente, o ar se acumula e é liberado em uma explosão (oclusiva bilabial sonora)
  • /v/: Os dentes superiores tocam o lábio inferior, o ar flui continuamente criando fricção (fricativa labiodental sonora)

Teste: Você pode manter o /v/ por vários segundos ("vvvvvv"), mas o /b/ é instantâneo -- impossível de prolongar.

Solução

Pratique na frente do espelho. Para /v/, certifique-se de que seus dentes superiores estão firmemente tocando o lábio inferior -- mais firme do que você faz em português. Para /b/, ambos os lábios devem se fechar completamente. Alterne: /b/ - /v/ - /b/ - /v/, aumentando a velocidade gradualmente.

Erro #4: Os Sons /θ/ e /ð/ (TH)

O famoso "TH" é o terror de praticamente todos os falantes de línguas românicas. Nenhuma língua românica possui esses sons, o que significa que são completamente novos para o seu aparelho fonador.

Por que isso acontece?

Os sons /θ/ (surdo, como em "think") e /ð/ (sonoro, como em "this") exigem que a ponta da língua fique entre os dentes ou toque os dentes superiores -- uma posição que simplesmente não existe em português. A tendência natural é substituir por sons familiares:

  • /θ/ vira /t/ ou /f/: "think" → "tink" ou "fink"
  • /ð/ vira /d/ ou /z/: "this" → "dis" ou "zis"

No português brasileiro, o problema é ainda pior porque o /d/ antes de /i/ se transforma em /dʒ/: "this" pode virar "djis".

Pratique estas palavras comuns com o som TH:

Solução

Coloque a ponta da língua entre os dentes (ou tocando a borda dos dentes superiores) e sopre ar. Para /θ/ ("think"), sopre sem vibrar as cordas vocais. Para /ð/ ("this"), faça o mesmo movimento mas com vibração das cordas vocais. Dica: coloque os dedos na garganta para sentir a diferença. Pratique na frente do espelho -- você deve ver a ponta da sua língua.

Erro #5: Pronunciar Letras Mudas

O inglês está cheio de letras que estão escritas mas não são pronunciadas. Para falantes de línguas românicas, onde a ortografia geralmente corresponde mais de perto à pronúncia, isso é extremamente contraintuitivo.

Por que isso acontece?

O português brasileiro é uma língua relativamente fonética -- a maioria das letras que você vê, você pronuncia. O inglês, por outro lado, carrega séculos de camadas históricas na sua ortografia. Palavras foram emprestadas do francês, do latim, do grego e do nórdico antigo, e a ortografia muitas vezes preserva a pronúncia de séculos atrás, enquanto a fala evoluiu.

Exemplos comuns

PalavraLetra mudaIPA corretoErro típicoSignificado
knifek/naɪf//knaɪf/faca
Wednesdayd/ˈwɛnzdeɪ//ˈwɛdnɛzdeɪ/quarta-feira
listent/ˈlɪsən//ˈlɪstən/ouvir
islands/ˈaɪlənd//ˈɪslænd/ilha
doubtb/daʊt//daʊbt/dúvida
musclec/ˈmʌsəl//ˈmʌskəl/músculo

Solução

Infelizmente, não há uma regra universal -- muitas letras mudas precisam ser memorizadas. Porém, existem padrões úteis: kn- no início = /n/ (knife, know, knee); wr- no início = /r/ (write, wrong, wrap); -mb no final = /m/ (climb, lamb, bomb); -ght = /t/ (night, thought, light). Use um dicionário com transcrição IPA e sempre verifique a pronúncia de palavras novas antes de memorizá-las errado.

Erro #6: Ritmo Silábico vs. Ritmo Acentual

Este é um dos erros mais sutis, mas também um dos que mais impactam a compreensão. Não é um som individual que está errado -- é o ritmo inteiro da sua fala.

Por que isso acontece?

O português (assim como o espanhol, o italiano e o francês) é uma língua de ritmo silábico: cada sílaba recebe aproximadamente o mesmo tempo e energia. O inglês é uma língua de ritmo acentual: as sílabas tônicas são longas, fortes e claras, enquanto as sílabas átonas são curtas, fracas e frequentemente reduzidas.

Quando um falante de português fala inglês com ritmo silábico, soa como se estivesse lendo cada sílaba com a mesma importância -- tipo um robô. Os nativos esperam ouvir um ritmo de "montanha-russa" com altos (sílabas tônicas) e baixos (sílabas átonas).

Exemplo prático

A frase "I want to go to the STORE" em inglês natural soa assim:

  • Nativo: "ai WONT tə GOʊ tə ðə STOːR" -- com compressão forte nas palavras funcionais
  • Brasileiro típico: "AI UONT TU GOU TU DE ISTOR" -- cada sílaba com o mesmo peso e duração

As palavras de conteúdo (want, go, store) são longas e fortes. As palavras funcionais (I, to, the) são curtas e reduzidas.

Solução

Pratique "cantando" o inglês. Bata palmas apenas nas sílabas tônicas de uma frase e deixe o resto fluir rapidamente entre elas. Ouça podcasts e tente imitar não apenas as palavras, mas o ritmo -- quais partes são longas e enfatizadas e quais são engolidas e rápidas. Dica: as palavras "to", "the", "a", "of", "and" quase nunca são pronunciadas com sua forma completa na fala natural.

Erro #7: O Som Schwa /ə/

A schwa é o som mais comum do inglês americano e britânico, mas não existe como fonema independente em português. Dominar a schwa é dominar o ritmo do inglês.

Por que isso acontece?

Em português, mesmo as vogais átonas mantêm uma identidade relativamente clara (embora o português europeu reduza bastante). Em inglês, as vogais em sílabas não acentuadas frequentemente colapsam para um som neutro, fraco e centralizado: a schwa /ə/. Falantes de português tendem a dar a cada vogal seu "valor pleno", pronunciando todas as letras como se estivessem acentuadas.

A schwa na prática

  • banana: /bəˈnænə/ -- A primeira e a última vogal são schwa, não /a/ pleno
  • about: /əˈbaʊt/ -- O "a" inicial é schwa, não /a/
  • problem: /ˈprɑːbləm/ -- O "e" é schwa, não /e/
  • support: /səˈpɔːrt/ -- O "u" é schwa, não /u/
  • today: /təˈdeɪ/ -- O "to" é schwa, não /tu/

Solução

Pense na schwa como o som "preguiçoso" -- sua boca está totalmente relaxada, quase neutra, e o som é brevíssimo. Pratique dizendo "uh" rapidamente. Agora insira esse "uh" nas sílabas átonas. A chave é não tentar pronunciar a vogal como ela está escrita. Em "banana", a primeira sílaba não é "ba" com /a/ claro -- é "buh" /bə/, rápido e fraco.

Erro #8: O Som /æ/ (cat, bad)

Este som simplesmente não existe em português e na maioria das línguas românicas. É uma das razões pelas quais palavras tão simples como "cat" e "bad" soam estranhas na boca de um brasileiro.

Por que isso acontece?

O português tem um único som de /a/. O inglês tem pelo menos três sons de "a" diferentes: /æ/ (cat), /ɑː/ (father) e /ʌ/ (cup). Quando falantes de português encontram o /æ/, usam seu /a/ padrão, que é mais aberto e posterior do que o /æ/ inglês. O /æ/ é um som frontal e tenso -- a mandíbula desce, a língua empurra para frente e para baixo, e os lábios se esticam ligeiramente para os lados.

Pratique estas palavras essenciais com /æ/:

Solução

Para produzir o /æ/, abra a mandíbula mais do que para o /e/ e empurre a língua para frente e para baixo. Pense em um som entre o "é" e o "a" do português. Muitos professores descrevem como o som que você faz quando um médico pede para abrir a boca: "aaaa" -- mas com a língua na frente. Pratique na frente do espelho: sua boca deve estar mais aberta que para /e/ e mais frontal que para /a/.

Erro #9: O Som /h/

A relação dos falantes de português com a letra "h" é complicada. Em português, o "h" é sempre mudo no início de palavras ("hora", "homem"). Em inglês, o /h/ é um som real que precisa ser pronunciado.

Por que isso acontece?

Como o português não tem /h/ aspirado, existem dois erros comuns: (1) omitir o /h/ completamente ("house" vira "ouse") ou (2) substituir por um /ʁ/ ou som gutural (como o "r" carioca) porque associamos a letra "h" ao som do nosso "r". Nenhuma das duas opções está correta. O /h/ inglês é uma leve aspiração -- como um sopro quente saindo da garganta sem nenhuma fricção ou vibração.

Solução

Pense no /h/ como o som que você faz quando embaça um espelho: "haaaa". É apenas ar quente saindo pela boca, sem nenhum contato ou fricção na garganta. Não use o "r" do português. Pratique com a mão na frente da boca: você deve sentir uma leve corrente de ar quente em palavras como "have", "home" e "happy". Cuidado: quando o "h" é mudo em inglês (como em "hour" /aʊr/ e "honest" /ˈɑːnɪst/), não pronuncie nenhum som.

Erro #10: Encontros Consonantais Finais

O português prefere sílabas que terminam em vogal ou em uma única consoante. O inglês empilha até quatro ou cinco consoantes no final de uma sílaba. Palavras como "texts" /tɛksts/, "strengths" /strɛŋkθs/ e "sixths" /sɪksθs/ são verdadeiros pesadelos fonológicos.

Por que isso acontece?

As línguas românicas têm regras silábicas que favorecem a estrutura consoante-vogal (CV). Quando o cérebro de um falante de português encontra uma sequência de três ou quatro consoantes finais, ele automaticamente tenta "consertar" a sílaba de três maneiras:

  1. Inserção de vogal (epêntese): "texts" → "textchis" (adição de /i/ após consoantes)
  2. Eliminação de consoante: "texts" → "tex" (omissão de sons)
  3. Simplificação: "months" → "mons" (substituição por grupo mais fácil)

Solução

Use a técnica de construção progressiva: adicione uma consoante de cada vez em vez de tentar o grupo completo de uma vez.

Exemplo com "texts" /tɛksts/:

  1. "tek" /tɛk/
  2. "teks" /tɛks/
  3. "tekst" /tɛkst/
  4. "teksts" /tɛksts/

Mantenha cada etapa por um segundo antes de adicionar o próximo som. Aumente a velocidade somente quando cada etapa estiver limpa. E lembre-se: o erro que falantes de português brasileiro mais cometem é a inserção de /i/ ("textchis") -- treine sua boca para parar na consoante final sem liberar aquela vogal fantasma.

Resumo: Seu Plano de Ação

Aqui está um resumo rápido dos 10 erros e suas soluções principais:

#ErroCausa PrincipalSolução Rápida
1Achatar ditongosVogais puras no portuguêsExagere o deslizamento vocálico
2Epêntese (vogais extras)Estrutura CV do portuguêsTécnica da serpente: "sssss-peak"
3Confusão /b/ e /v//v/ mais fraco no PBEspelho + teste de prolongamento
4Sons /θ/ e /ð/ (TH)Sons inexistentes no portuguêsLíngua entre os dentes
5Letras mudasOrtografia fonética do portuguêsSempre verificar IPA no dicionário
6Ritmo silábicoPortuguês = ritmo silábicoBater palmas nas sílabas tônicas
7Schwa /ə/Vogais plenas no portuguêsReduzir sílabas átonas para "uh"
8Som /æ/Único /a/ no portuguêsMandíbula aberta + língua frontal
9Som /h/H mudo no portuguêsSopro quente sem fricção
10Grupos consonantais finaisPreferência CV no portuguêsConstrução progressiva

Como Praticar: Estratégia Semanal

Não tente corrigir tudo ao mesmo tempo. Escolha um erro por semana e siga esta rotina:

  1. Segunda e terça: Estude a teoria. Entenda por que o erro acontece e como produzir o som correto.
  2. Quarta e quinta: Pratique com as palavras e pares mínimos deste guia. Use espelho e gravação.
  3. Sexta: Pratique com frases completas e fala natural. Tente usar os sons corretos em conversas reais.
  4. Fim de semana: Ouça nativos (podcasts, filmes, músicas) e preste atenção específica ao som que você praticou na semana.

Em 10 semanas, você terá trabalhado todos os erros. Depois, volte e reforce os que ainda precisam de atenção. A pronúncia é um trabalho de memória muscular -- quanto mais você pratica, mais natural se torna.

Conclusão

Os 10 erros que vimos neste guia não são falhas individuais -- eles são consequências naturais de falar uma língua românica. Seu cérebro está fazendo o que qualquer cérebro faz: usando os padrões que já conhece para processar sons novos. A boa notícia é que, ao entender por que cada erro acontece, você pode criar estratégias específicas para corrigi-lo.

Lembre-se: o objetivo não é eliminar completamente seu sotaque. O objetivo é ser compreendido com clareza e confiança. Com dedicação e prática consistente, cada um desses erros pode ser superado. Comece hoje -- escolha o erro que mais te incomoda e dedique esta semana a ele.